Mulher que acionou botão do pânico na Corrida Corra por Elas relata os motivos que levaram à detenção de corredor em Brusque

Em entrevista exclusiva ao EsporteSC e ao SC Mídia, Ana Cláudia Thomaz nega que tenha ido à prova para provocar a prisão de Rafael de Oliveira, relata o relacionamento entre os dois e fala sobre as críticas recebidas após o episódio

por esportesc
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O que deveria ser mais uma manhã de esporte e solidariedade terminou com uma ocorrência policial que repercutiu em Brusque. No domingo (11), durante a corrida Corra por Elas, a atleta Ana Cláudia Thomaz acionou o botão do pânico vinculado a uma medida protetiva, e o corredor Rafael de Oliveira, conhecido como Rafinha e hexacampeão da prova, foi detido pela Polícia Militar. Em entrevista exclusiva ao EsporteSC e ao SC Mídia, dividida em três partes, Ana apresentou sua versão sobre os acontecimentos, explicou o que a levou a acionar o dispositivo e relatou os episódios que antecederam a concessão da medida protetiva. Ela também rebateu comentários de que teria comparecido à corrida com a intenção de provocar a detenção do atleta. Rafael de Oliveira foi procurado para apresentar sua versão, mas informou que não pretende se manifestar neste momento.

Acionamento do botão do pânico

Segundo Ana Cláudia, o acionamento ocorreu depois que Rafael se aproximou muito perto dela após a prova. Ela afirma que a medida protetiva estabelece uma distância mínima de 300 metros entre os dois e que, naquele momento, entendeu que a determinação judicial não estava sendo respeitada.

A atleta relata que encontrou Rafael em mais de uma ocasião durante a manhã. Em um dos momentos, quando estava próxima à área em que familiares e acompanhantes aguardavam a chegada dos corredores, sua filha teria chamado sua atenção para a presença dele.

Ana afirma que registrou a situação em vídeo para documentar a proximidade entre os dois. Segundo seu relato, a distância teria sido inferior a 50 metros. “Eu acho super normal a gente se esbarrar na corrida. A gente se cruzou duas vezes enquanto corríamos, até ai tudo bem. É inevitável. Porém, em outro momento, após a corrida, ele não respeitou a medida protetiva, o que me gerou uma crise de ansiedade e apertei o botão do pânico”, contou. Ela afirma que acionou o dispositivo porque considerou necessário garantir a própria segurança e o cumprimento da medida protetiva.

A entrevistada também descreveu os momentos que antecederam a chegada da Polícia Militar. Segundo ela, passou mal enquanto aguardava atendimento e precisou pedir que familiares cuidassem de sua filha. Ana relata que os policiais tiveram dificuldade para localizá-la inicialmente, em razão da quantidade de pessoas presentes no evento. Depois de encontrá-la, os agentes iniciaram o atendimento e procuraram Rafael entre os participantes.

De acordo com a entrevistada, o corredor foi localizado na área externa, identificado pela camiseta roxa que vestia e conduzido pelos policiais. Ela afirma que teve uma crise emocional durante a abordagem. Posteriormente, Ana foi à delegacia para prestar esclarecimentos. Segundo ela, o delegado informou que Rafael permaneceria detido e seria encaminhado à audiência de custódia. O corredor foi posteriormente liberado.

‘Eu não fui com o intuito de apertar’

Um dos principais pontos da entrevista foi a resposta de Ana Cláudia às acusações na rede social de que teria comparecido à corrida com o objetivo de provocar a detenção do atleta.

Ela nega essa intenção e afirma que já havia divulgado nas redes sociais que participaria do evento. Segundo Ana, a corrida faz parte de sua trajetória como corredora e de seu interesse em participar de provas beneficentes. “Eu não fui com o intuito de apertar. Eu podia ter apertado antes, podia ter chegado ali e apertado antes da corrida, e ele nem teria corrido”, afirmou.

Ana diz que nunca pediu a proibição da participação de Rafael em competições. Segundo ela, a medida protetiva não impedia o corredor de disputar provas, mas exigia que ele mantivesse a distância determinada judicialmente. “Ele podia estar, sim, na corrida. Eu nunca pedi a proibição dele nas corridas, mas ele não podia estar próximo de mim”, declarou.

A entrevistada também contestou informações que circularam sobre a existência de uma decisão judicial que autorizaria Rafael a participar do evento nas circunstâncias em que ocorreu o encontro. Segundo ela, não tinha conhecimento de uma decisão desse tipo e afirma que ouviu os policiais verificarem a questão durante o atendimento.

Relacionamento terminou há dois meses

Na entrevista, Ana Cláudia relatou como conheceu Rafael e como o relacionamento entre os dois chegou ao fim. Segundo ela, os dois se aproximaram entre abril e maio deste ano, durante o período de competições de corrida, e mantiveram um relacionamento por aproximadamente três a quatro meses.

Ana afirma que decidiu encerrar a relação em 5 de agosto, alegando que não queria continuar naquela situação. Ela relata que, mesmo depois do término, houve contatos e episódios que a deixaram emocionalmente abalada.

A corredora, que também é advogada, contou que, posteriormente, encontrou Rafael em um evento acompanhado de outra mulher, que, segundo seu relato, seria sua ex-companheira. Ana afirma que conversou com essa mulher e que, depois disso, recebeu mensagens e áudios ofensivos.

Ainda segundo ela, Rafael teria feito comentários depreciativos sobre sua aparência e a acusado de mentir sobre o relacionamento. Ela afirma que essas situações contribuíram para o agravamento de seu estado emocional.

A entrevistada relata que já enfrentava dificuldades familiares naquele período, incluindo problemas de saúde de seu avô e questões envolvendo sua filha. Segundo ela, passou a apresentar crises de ansiedade e outras manifestações físicas associadas ao estresse.

Ana esclareceu que a medida protetiva não foi concedida simplesmente porque ela, como advogada, decidiu solicitá-la. Segundo seu relato, a decisão judicial ocorreu após uma situação em que Rafael teria ameaçado ir até seu escritório. “Eu não fiz a medida protetiva como advogada. É um juiz que decretou, é um juiz que entendeu ser necessário”, afirmou.

Ela também ressaltou que não houve agressão física, mas considera que as situações vivenciadas configuraram violência psicológica.

Críticas nas redes sociais motivaram entrevista

Por fim, Ana afirmou que decidiu falar publicamente porque se sentiu prejudicada pela repercussão do caso e pela circulação de versões que, segundo ela, não contemplavam seu relato.

A atleta disse que recebeu críticas nas redes sociais e que passou a evitar a leitura dos comentários para não agravar o impacto emocional da situação. “Eu estou sendo massacrada na internet, sendo que eu sou a vítima”, declarou.

Ana também criticou a divulgação de conteúdos publicados por Rafael nas redes sociais após o episódio. Segundo ela, algumas manifestações foram interpretadas como afronta à medida protetiva e à sua condição de pessoa protegida pela decisão judicial.

A entrevistada afirmou que não pretende deixar de participar das corridas em Brusque por causa do episódio. Pelo contrário, disse que continuará frequentando os eventos esportivos da cidade, desde que a distância determinada pela Justiça seja respeitada. “Eu também estarei nas corridas de Brusque”, afirmou.

Ela ainda rebateu a interpretação de que o acionamento do botão do pânico teria sido motivado por sentimentos relacionados ao fim do relacionamento. “Eu não estou aqui para prejudicá-lo e eu não estou aqui porque eu quero ele”, diz.

Apelo por respeito às mulheres

Ao falar sobre o que espera daqui para frente, Ana defendeu que a sociedade tenha mais atenção às situações relatadas por mulheres que recorrem à Justiça em busca de proteção. Advogada, ela afirmou que orienta mulheres sobre seus direitos e considera importante que as determinações judiciais sejam respeitadas, independentemente da existência de agressão física.

“Eu fiz o meu papel e aí eu sou totalmente desprezada, desvalorizada, descredibilizada, xingada, e a pessoa que fez é exaltada”, declarou. Ao encerrar o relato, defendeu mais empatia e apoio entre as mulheres e disse que pretende se afastar temporariamente das redes sociais para preservar seu bem-estar emocional.

Direito de resposta

O EsporteSC procurou Rafael de Oliveira para que pudesse apresentar sua versão dos fatos e responder aos pontos levantados por Ana Cláudia Thomaz. O corredor informou que não pretende se manifestar neste momento.