A disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Brusque para o próximo biênio já movimenta os bastidores políticos do município. Em entrevistas concedidas ao SC Mídias e ao EsporteSC ao longo desta semana, parlamentares revelaram suas intenções, indicaram possíveis alianças e expuseram diferentes níveis de aproximação com o governo do prefeito André Vechi.
Pelo menos sete vereadores declararam formalmente que pretendem disputar a presidência ou colocaram seus nomes à disposição: Alessandro Simas (União Brasil), Valdir Hinselmann (PL), Filipe Hort (NOVO), Jean Pirola (PP), Joubert Lungen (Podemos), Pedro Corrêa (PL) e professor Rogério (Republicanos). A lista considera as manifestações públicas de pré-candidatura ou disponibilidade para concorrer. Outros nomes também aparecem nas conversas internas, embora ainda não tenham confirmado uma candidatura.
O cenário, porém, está longe de uma definição. Parte dos vereadores afirma que pretende acompanhar a decisão coletiva da base governista, enquanto outros buscam viabilizar suas próprias candidaturas. Há ainda parlamentares que aguardam conversas com o prefeito antes de assumir um posicionamento definitivo.
Governo busca consenso, mas base admite divergências
Nos bastidores, a avaliação é de que o prefeito André Vechi ainda não conta com apoio consolidado de todos os vereadores da base para definir o próximo presidente da Câmara. A articulação governista precisa reunir pelo menos oito votos, número que representa a maioria dos 15 parlamentares da Casa.
Segundo informações de bastidores apuradas pelo SC Midias e pelo EsporteSC, o prefeito estaria priorizando conversas com vereadores considerados mais próximos e de confiança, deixando para uma etapa posterior o diálogo com outros parlamentares, caso seja necessário ampliar a composição.
O nome de Paulinho Sestrem (PL), atual líder do governo na Câmara, é o nome preferido do prefeito. Entretanto, sua possível candidatura enfrenta resistências dentro da própria base e do próprio PL, onde outros vereadores também manifestaram interesse em assumir a presidência.
Alessandro Simas (União Brasil) reconheceu que existe uma conversa inicial para buscar um nome de consenso. Segundo ele, o entendimento preliminar envolve vereadores ligados ao governo e considera Paulinho como uma alternativa capaz de unificar o grupo. Caso o PL não confirme esse nome, Simas afirma que também colocará seu nome à disposição do prefeito para representar o grupo governista.
A existência de diferentes candidaturas e a falta de definições individuais indicam que a escolha deverá exigir novas conversas e negociações entre os partidos.








Candidatos buscam apoio dentro e fora da base
Entre os nomes que já se movimentam está Filipe Hort (NOVO), que defende uma gestão independente à frente do Legislativo. O vereador afirmou que está conversando com parlamentares da base governista e também com aqueles que demonstram insatisfação com a atual composição política.
O NOVO é considerado neutro no cenário municipal, mas, nos bastidores, Filipe tem se aproximado mais do governo nas ultimas semanas. Ele afirma, no entanto, que seu partido continuará independente, apoiando projetos que considerar positivos e fiscalizando os gastos públicos.
Valdir Hinselmann, do PL, também mantém o nome na disputa e afirma que pretende buscar os votos necessários. O vereador mais votado da última eleição, porém, declarou que ainda não havia sido chamado pelo prefeito e colega de partido para conversar sobre a presidência.
Jean Pirola (PP) se apresenta como pré-candidato e afirma que pretende viabilizar seu nome dentro do grupo governista. Já Joubert Lungen (Podemos) confirmou que conversou com André Vechi, manifestou interesse no cargo e comunicou sua intenção a colegas de partido.
Pedro Corrêa (PL) também colocou o nome à disposição, afirmou que já conversou com o governo e declarou que pretende manter a candidatura até o fim das articulações, antes de definir uma eventual composição.
Professor Rogério (Republicanos), por sua vez, aposta na experiência de cinco mandatos como argumento para concorrer à presidência. Ele afirmou que ainda não havia conversado com o prefeito sobre o assunto e demonstrou expectativa de que seu histórico político seja considerado na escolha.
Paulinho é cotado, mas não confirma candidatura
Apesar de aparecer entre os nomes discutidos nos bastidores, Paulinho Sestrem não confirmou que será candidato. Ele afirmou que as conversas entre vereadores são naturais neste período e que ainda não havia uma definição.
O parlamentar declarou que seu posicionamento será de alinhamento com o governo e que apoiará o candidato escolhido pelo grupo governista. Segundo ele, uma reunião com o partido deverá ocorrer após as eleições presidenciais, quando as articulações internas poderão avançar.
A postura de Paulinho reforça a estratégia de buscar uma composição coletiva, mas também deixa em aberto a possibilidade de outro nome do PL ou da base assumir a disputa.
Outro vereador que recuou foi Leo Schmitz (PL). Ele garante que seu nome chegou a ser bastante comentado e que havia boas possibilidades de articular a presidência, mas decidiu retirar-se da disputa em razão de questões de saúde. Schmitz declarou que seguirá o que for definido entre os colegas do PL e da base.





Parte da base ainda não conversou com o prefeito
A indefinição também aparece entre vereadores que dizem não ter iniciado negociações diretas com o Executivo.
André Rezini (PP) afirmou que ainda não conversou com ninguém sobre a eleição da Mesa Diretora e que também não foi procurado pelo prefeito. Jean Dalmolin (Republicanos) relatou situação semelhante, embora tenha indicado que a tendência é acompanhar a posição da base.
Cacá Tavares (Podemos) informou que conversou institucionalmente com o prefeito, acompanhado do presidente Buda, na semana anterior. Segundo ele, André Vechi perguntou se estaria disposto a votar em um nome da base, e o vereador respondeu positivamente, ressaltando que ainda não existe candidato definido.
Antonio Roberto (PRD) também sinalizou alinhamento com o governo. De acordo com ele, o presidente municipal do partido, Leandro Noldin, está em diálogo com o Executivo para chegar a uma definição consensual. A intenção, segundo o vereador, é apoiar o nome acordado com a base governista.
Joubert Lungen, embora já tenha conversado com o prefeito e manifestado interesse na presidência, afirmou que a situação continua em aberto. Ele destacou sua atuação em comissões da Câmara e sua experiência na Mesa Diretora como credenciais para assumir o comando do Legislativo.
NOVO mantém independência e PT avalia possibilidades
Entre os partidos que não integram formalmente a base governista, o cenário também não está fechado. Rick Zanata (NOVO) descartou disputar a presidência, mas afirmou que foi procurado por colegas interessados no cargo. Ele citou Paulinho Sestrem, Pedro Corrêa, Joubert Lungen, professor Rogério e Filipe Hort entre os nomes que demonstraram interesse. Zanata ainda não definiu seu apoio, mas declarou que, caso Filipe seja candidato, estará ao lado do colega de partido.
Bete Eccel (PT), representante da oposição, confirmou que já foi procurada para dialogar sobre a composição da Mesa Diretora. A vereadora afirmou que conversará com seu partido antes de avaliar as possibilidades.
Bete defende uma Mesa democrática, aberta ao diálogo e comprometida com a pluralidade política. Sua decisão, segundo ela, levará em consideração a proximidade entre a composição pretendida e as pautas que defende no mandato.
A posição do PT poderá ser relevante para as negociações, especialmente caso a disputa se torne mais fragmentada. Entretanto, ainda não há indicação de que a oposição tenha conseguido construir uma candidatura unificada.


Eleição dependerá de negociações
O quadro revelado pelas entrevistas ao SC Mídias mostra uma disputa com múltiplos interessados e diferentes graus de compromisso com o governo municipal. Embora a base reúna vereadores de PL, Podemos, PRD, PP, União Brasil e Republicanos, a existência de candidaturas concorrentes indica que o alinhamento partidário não significa, necessariamente, consenso em torno de um único nome.
O NOVO mantém uma posição de independência, enquanto o PT se coloca na oposição. Nos bastidores, a avaliação é de que, embora haja um descontentamento da maioria dos vereadores pela forma de governo do prefeito André Vechi, a falta de organização e as divergências internas podem dificultar a formação de um bloco oposicionista capaz de disputar a presidência de forma coordenada.
As próximas conversas entre o prefeito, os partidos e os vereadores interessados deverão definir quais candidaturas permanecerão na disputa e se haverá uma composição capaz de reunir os votos necessários.
Por enquanto, a presidência da Câmara de Brusque segue em aberto. Paulinho Sestrem aparece como uma das alternativas discutidas pelo governo, mas a resistência interna e a movimentação de outros vereadores tornam a eleição uma negociação ainda imprevisível.
Quadro de posicionamento dos vereadores
Vereador| Partido| Posição sobre a presidência
Alessandro Simas| União Brasil| Quer ser candidato, caso Paulinho não seja o nome de consenso
Valdir Hinselmann| PL| Nao foi chamado pelo prefeito e mantém o nome na disputa
Filipe Hort| NOVO| Colocou o nome à disposição; defende independência
Jean Pirola| PP| Pré-candidato; pretende negociar com o governo
Joubert Lungen| Podemos| Declarou candidatura e já conversou com o prefeito
Pedro Corrêa| PL| Candidato; pretende manter o nome até o fim das articulações
Professor Rogério| Republicanos| Colocou o nome à disposição
Paulinho Sestrem| PL| Nome cotado; ainda não confirmou candidatura e apoiará o escolhido da base
Leo Schmitz| PL| Retirou-se da disputa por questões de saúde; seguirá a definição do grupo
André Rezini| PP| Ainda não iniciou conversas, tampouco foi chamado pelo governo
Jean Dalmolin| Republicanos| Sem definição; tendência de acompanhar a base
Caca Tavares| Podemos| Alinhado à base, mas sem nome definido
Antonio Roberto| PRD| Apoiará o nome definido em consenso com o governo
Rick Zanata| NOVO| Não será candidato; ainda não definiu apoio
Bete Eccel| PT| Avaliará a composição com o partido
Confira abaixo, e de forma exclusiva, a manifestação na integra de cada vereador



















