A cena registrada nesta quarta-feira (30) na Arena Brusque — com baldes espalhados pelo ginásio, água no piso e um jogador do Santa Luzia precisando de atendimento após cair na quadra molhada — expõe novamente um problema que a Prefeitura de Brusque promete resolver há anos, mas que continua acontecendo.
E o histórico recente é difícil de ignorar.
Depois de prometer na campanha de 2023 que faria a obra, em julho de 2024 o prefeito André Vechi anunciou publicamente que faria a reforma do telhado da Arena Brusque. Na ocasião, afirmou que a obra começaria ainda naquele mês e teria investimento superior a R$ 500 mil. O próprio prefeito reconheceu que as goteiras eram um problema antigo e disse que “não era mais aceitável interromper grandes eventos por causa da água” que entrava no ginásio
A promessa, porém, não se concretizou naquele momento.
Em 2024, uma empresa chegou a ser contratada para executar a recuperação do telhado. O contrato, entretanto, acabou sendo rescindido em fevereiro de 2025 em razão de problemas relacionados ao modelo de repasse dos recursos estaduais utilizado para financiar a obra.
E então veio uma nova promessa.
Em 8 de outubro de 2025, a Prefeitura anunciou oficialmente uma nova etapa para resolver o problema. A ordem de serviço para a recuperação do telhado foi assinada com a presença do vice-prefeito Deco Batisti, com a contratação da empresa Ather Serviços de Engenharia Ltda., pelo valor de R$ 479.999,99 e prazo de execução de dois meses. A informação foi publicada no site oficial do Município e divulgada à imprensa.
Naquele momento, o discurso era definitivo.
O prefeito André Vechi, desta vez, afirmou que o investimento garantiria mais segurança aos atletas e evitaria novos incidentes. O superintendente da Fundação Municipal de Esportes, Luiz Paulo de Souza Silva, declarou que a reforma deveria começar ainda naquele mês.
E foi justamente nessa ocasião que o então prefeito em exercício e secretário de Infraestrutura Estratégica, Deco Batisti, apareceu na assinatura da ordem de serviço.
A foto e o anúncio oficial circularam pelos veículos de comunicação de Brusque como a confirmação de que, finalmente, o problema histórico das goteiras seria resolvido.
QUASE UM ANO DEPOIS, A ÁGUA CONTINUA CAINDO
Quatro meses depois daquela ordem de serviço, em fevereiro de 2026, o próprio EsporteSC mostrou que a reforma ainda não havia começado e que as goteiras continuavam afetando a utilização da Arena. Na reportagem, também foi relembrado que a Prefeitura já havia feito promessas anteriores de solução para o problema.
Agora, em setembro de 2026, a realidade voltou a aparecer dentro da quadra.
Baldes. Água. Piso molhado. Jogadores em risco. E, desta vez, um atleta precisando ser retirado da quadra para atendimento médico.
O contraste entre o anúncio oficial e as imagens atuais é evidente.
A Prefeitura chegou a apresentar a recuperação do telhado como uma obra que solucionaria um problema antigo e traria mais segurança aos atletas.
Mas a Arena continua registrando exatamente aquilo que a obra prometia eliminar: goteiras e água dentro do espaço de competição.
NÃO É A PRIMEIRA VEZ QUE A ARENA VIRA NOTÍCIA POR CAUSA DAS GOTEIRAS
O problema é tão recorrente que já provocou atraso e interrupção de partidas, além de episódios de quedas de atletas. Em fevereiro de 2026, por exemplo, goteiras voltaram a atingir a quadra antes de uma partida da Superliga B Feminina, provocando atraso no início do jogo.
Em 2024, reportagem sobre o assunto já registrava que o telhado apresentava pontos de infiltração e diversas goteiras, com previsão de substituição de calhas, parafusos e telhas, além da aplicação de manta impermeável.
Ou seja: não se trata de um problema novo, desconhecido ou recém-descoberto.
É um problema que foi diagnosticado, anunciado, orçado, licitado, teve contrato assinado, teve nova ordem de serviço assinada e, ainda assim, continua aparecendo em dias de chuva.
E AGORA, QUEM ASSUME A RESPONSABILIDADE?
A pergunta inevitável depois do episódio desta quarta-feira é simples:
Quantas vezes ainda será necessário anunciar a reforma da Arena Brusque para que ela, de fato, resolva as goteiras?
A ordem de serviço assinada em outubro de 2025 previa dois meses para a execução da recuperação do telhado.
Quase um ano depois, atletas continuam entrando em quadra com baldes no entorno e água no piso.
E agora existe ainda uma consequência mais grave: um jogador foi ao hospital após cair durante a partida.
A comunidade esportiva de Brusque já demonstrou indignação e equipes estudam formas de protesto para cobrar uma solução definitiva.
Enquanto isso, fica a imagem que talvez seja a mais simbólica de todas:
uma Arena esportiva pública, com atletas dentro da quadra e um balde recolhendo água que deveria estar do lado de fora.







