Brusque x Renaux: O que pensam os torcedores sobre a rivalidade no clássico municipal?

Brusque e Carlos Renaux se enfrentam neste domingo (11) pela segunda rodada do Campeonato Catarinense 2026. Veja como torcedores da cidade observam a rivalidade das equipes

por Rafael Alves
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O reencontro entre Brusque e Carlos Renaux, marcado para este domingo (11), às 19h30, no estádio Augusto Bauer, vai além dos 90 minutos. Pela segunda rodada do Campeonato Catarinense 2026, o clássico municipal marca apenas o terceiro confronto profissional entre os clubes e o primeiro após 22 anos, reacendendo memórias, afetos e diferentes formas de enxergar essa rivalidade na cidade.

Em um município onde os caminhos dos dois clubes se cruzam desde a fusão que originou o Brusque, o duelo carrega mais identidade e história compartilhada do que oposição extrema – ao menos para parte dos torcedores.

Torcedor do Brusque, Edivaldo Nicolodi resume esse sentimento ao afirmar que não vê o confronto como uma rivalidade tradicional.

“Não vejo uma rivalidade de verdade entre Brusque e Renaux. É diferente de cidades onde dois clubes nascem e crescem competindo entre si. Aqui houve uma fusão, uma história que se dividiu em dois caminhos”, avalia.

A própria trajetória familiar de Edivaldo ilustra essa relação singular. Seu pai, Gentil Nicolodi, cresceu acompanhando o Carlos Renaux e, com a fusão, passou a torcer pelo Brusque, sentimento que foi naturalmente transmitido ao filho.

“Meu pai era torcedor do Renaux e virou torcedor do Brusque quando o Renaux deixou de existir. Foi assim que eu aprendi a torcer pelo Brusque. Essa história se mistura”, conta.

Para Edivaldo, a rivalidade atual muitas vezes é inflada pelas redes sociais, distante da vivência histórica do futebol local.

“O que se vê hoje é uma rivalidade criada na internet, com xingamentos e desvalorização da história dos clubes. Isso é errado. Cada um tem sua trajetória e merece respeito. O Renaux tem uma história lindíssima, é o clube mais antigo de Santa Catarina. O Brusque construiu a sua de outra forma, com crescimento rápido nos últimos anos”, destaca.

Olhar de quem viveu as duas histórias

Gentil Nicolodi, pai de Edivaldo, compartilha da mesma visão. Para ele, o clássico deste domingo simboliza mais do que o resultado em campo.

“Cresci acompanhando o Carlos Renaux, um clube que faz parte da nossa identidade. A volta do Vovô à elite é uma vitória para a cidade. Ao mesmo tempo, o Brusque consolidou um projeto profissional forte, que hoje é incontestável”, analisa.

Mesmo torcendo atualmente pelo Brusque, Gentil afirma manter o respeito pelas raízes renauxianas.

“Torço pelo Brusque pela trajetória recente, mas guardo respeito e afeto pelo Renaux. O futebol não precisa de fanatismo cego. Domingo, vou ao estádio para apreciar o jogo”, afirma.

A visão do torcedor tricolor

Do outro lado do clássico, o torcedor do Carlos Renaux, Ian Martins, destaca a ligação familiar com o clube e o peso simbólico do retorno à elite estadual.

“Minha relação com o Renaux começou de berço, quando meu pai e meu dindo jogavam na equipe profissional. Desde então, eu já sabia para quem torcer na minha cidade”, relata.

Para Ian, o Renaux representa a identidade histórica de Brusque.

“O Renaux representa tradição, um verdadeiro clube de superação, que conseguiu se reerguer após a catástrofe de 1984. Isso mostra o quanto o povo brusquense é batalhador”, afirma.

Ele também ressalta a importância do clube para diferentes gerações e o atual momento estrutural.

“Sendo o clube mais antigo do estado, são inúmeras gerações marcadas pelo Renaux. Hoje, com uma estrutura mais moderna, muita gente de fora também acredita no potencial do clube”, completa.

Ian reconhece que o clássico tem características únicas e que, por vezes, a história do Renaux foi distorcida.

“Vejo como um clássico diferente. Muitas informações chegaram distorcidas aos brusquenses, e fomos feitos de vilões em alguns momentos. Poucos sabem tudo o que enfrentamos para chegar até aqui. A verdade sempre prevalece”, pontua.

Apesar das provocações entre amigos, ele defende que a rivalidade fique apenas na brincadeira.

“A zoeira sempre vai existir, mas a violência não faz parte desse jogo”, diz.

Sobre o duelo deste domingo, Ian reconhece o favoritismo do adversário, mas valoriza o significado do momento.

“O Brusque está em outro patamar no futebol nacional. Mas só o fato de o Renaux estar de volta à elite já é motivo de orgulho. Esse jogo representa superação. Como torcedor tricolor, estou muito feliz”, conclui.

Expectativa e respeito

Mesmo com contextos distintos – o Brusque com maior estrutura, folha salarial superior e calendário nacional -, torcedores dos dois lados concordam que o maior vencedor já é o futebol da cidade.

“Ter dois clubes de Brusque na Série A do Catarinense é algo muito positivo. Espero que o jogo seja apreciado com respeito”, afirma Edivaldo.

Gentil reforça:

“O Brusque entra como favorito técnico, mas a maior vitória já aconteceu: o futebol da nossa cidade novamente no topo. Que vença o melhor.”

O clássico entre Brusque e Carlos Renaux será disputado neste domingo (11), às 19h30, no estádio Augusto Bauer, pela segunda rodada do Campeonato Catarinense 2026. O duelo marca o primeiro encontro profissional entre as equipes desde 2004 e apenas o terceiro da história.

Fotos capa: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FC e @gfotos047