Sidney Silva
Direto do palco de abertura da Copa do Mundo 2026, Estádio Azteca, Cidade do México
A bola vai rolar. Nesta quinta-feira (11), às 16h, México e África do Sul abrem oficialmente a Copa do Mundo de 2026 no Estádio Azteca, na Cidade do México. Mais do que o primeiro jogo do torneio, a partida marcará um momento histórico para o futebol mundial: o Azteca se tornará o primeiro estádio do planeta a receber jogos em três edições diferentes da Copa do Mundo. Veja o vídeo contando a história.
Com capacidade para 87.250 torcedores, superior à do Maracanã, o estádio mexicano é considerado um dos maiores templos do futebol. Inaugurado em 1966, o Azteca foi palco de alguns dos capítulos mais marcantes da história do esporte e volta a ser o centro das atenções do mundo 40 anos após receber seu último Mundial.


Foi em seu gramado que Pelé liderou a seleção brasileira ao tricampeonato mundial em 1970, coroando uma equipe considerada por muitos a melhor de todos os tempos. Dezesseis anos depois, o estádio voltou a testemunhar um momento inesquecível ao receber a Copa de 1986, quando Diego Maradona comandou a Argentina rumo ao título e protagonizou o lendário “Gol do Século” contra a Inglaterra.
A construção do Azteca começou em 1962, sob o comando dos arquitetos mexicanos Pedro Ramírez Vázquez e Rafael Mijares Alcérreca. Quatro anos depois, em 29 de maio de 1966, o estádio foi inaugurado com um amistoso entre o Club América e o Torino, da Itália, que terminou empatado em 2 a 2.
Curiosamente, o primeiro gol da história do estádio foi marcado por um brasileiro. Arlindo dos Santos, ídolo do Club América, entrou para sempre nos registros do Azteca ao balançar as redes na inauguração da arena.
Projetado originalmente para receber mais de 100 mil espectadores, o estádio nasceu como um dos maiores do planeta. Antes mesmo de sediar uma Copa do Mundo, recebeu partidas dos Jogos Olímpicos de 1968 e registrou um dos maiores públicos de sua história, com quase 120 mil pessoas presentes em um duelo entre México e Brasil.
O palco do tricampeonato de Pelé
A primeira Copa do Mundo realizada no Azteca aconteceu em 1970. O Brasil chegou ao México como uma das seleções favoritas e confirmou seu favoritismo com uma campanha considerada por muitos como a melhor da história dos Mundiais.
Liderada por Pelé e formada por craques como Gérson, Rivellino, Jairzinho, Tostão e Carlos Alberto Torres, a Seleção Brasileira encantou o planeta.
Foi justamente no Azteca que o Brasil conquistou o tricampeonato mundial ao vencer a Itália por 4 a 1 na decisão. A partida marcou também a despedida de Pelé das Copas do Mundo e eternizou a imagem do Rei levantando a taça diante de um estádio lotado.
Maradona e o jogo mais famoso das Copas
Dezesseis anos depois, o México voltou a sediar um Mundial e o Azteca novamente se transformou no centro das atenções.
Em 22 de junho de 1986, o estádio recebeu um dos jogos mais emblemáticos da história do futebol: Argentina x Inglaterra, pelas quartas de final.
Naquele dia, Diego Maradona marcou dois dos gols mais famosos de todos os tempos. O primeiro ficou conhecido como a “Mão de Deus”, após o argentino utilizar a mão para superar o goleiro inglês sem que a arbitragem percebesse a infração.
Poucos minutos depois, veio o lance que muitos consideram o maior gol da história das Copas. Maradona recebeu a bola no campo de defesa, passou por vários adversários e marcou após uma arrancada espetacular. Décadas mais tarde, o gol seria eleito pela Fifa como o mais bonito da história dos Mundiais.
A Argentina venceu por 2 a 1 e seguiu rumo ao título. Na final, derrotou a Alemanha Ocidental por 3 a 2, novamente no Azteca.
Com isso, o estádio conquistou uma marca única: é o único do mundo a ter visto Pelé e Maradona, dois dos maiores jogadores da história, levantarem a taça de campeão mundial.
Recordes e modernização
Ao longo de sua trajetória, o Azteca recebeu 19 partidas de Copa do Mundo, mais do que qualquer outro estádio na história do torneio.
Para a edição de 2026, a arena passou por um amplo processo de modernização iniciado em 2024. As obras incluíram melhorias tecnológicas, aumento da conectividade, substituição de assentos, aperfeiçoamento das áreas destinadas ao público e instalação de gramado híbrido.
As mudanças seguem uma série de reformas realizadas ao longo das últimas décadas. A inclusão de camarotes, áreas VIP e suítes corporativas reduziu gradualmente a capacidade original do estádio, gerando críticas de parte dos torcedores, que consideram que algumas características tradicionais da arena foram perdidas.
Apesar das transformações, a essência permanece intacta.
Nesta quinta-feira, quando a bola rolar para México e África do Sul, o Azteca escreverá mais um capítulo de uma história que poucos estádios no mundo podem contar. Um palco que viu lendas, recebeu finais inesquecíveis e que, mais uma vez, será o centro das atenções do futebol mundial.
Agora, em 2026, o estádio escreve mais um capítulo de sua história ao receber a abertura do primeiro Mundial com 48 seleções. O duelo entre México e África do Sul, às 16h, recoloca o Azteca no centro do palco e reforça seu status de um dos cenários mais emblemáticos do esporte.
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