Coluna de Opinião | Sidney Silva
A estreia do Brusque e do técnico Higo Magalhães no Campeonato Catarinense de 2026 deixou sensações distintas. O empate em 1 a 1 fora de casa, diante da Chapecoense, nesta terça-feira (6), na Arena Condá, é totalmente aceitável pelo contexto — estreia, adversário tradicional e jogo fora. Mas a atuação, sobretudo no segundo tempo, mostra que o time terá grandes desafios.
Desde o apito inicial, ficou claro um traço que tende a ser recorrente nas partidas longe de Brusque sob o comando de Higo Magalhães: linhas mais baixas, bloco compacto, espera e tentativa de sair em transições. A ideia é compreensível, mas exige peças com mais velocidade e capacidade de agressão pelos lados — algo que o elenco, hoje, ainda não entrega plenamente.
O primeiro tempo foi equilibrado e competitivo. O Brusque se organizou bem, marcou com disciplina e foi eficiente quando teve a bola. O gol de Clinton coroou um momento positivo e deu a impressão de que o plano poderia funcionar. No entanto, o segundo tempo mostrou o outro lado da moeda: o time cansou, perdeu o meio-campo e praticamente deixou de existir ofensivamente.
A Chapecoense empilhou chances, controlou o jogo e transformou a etapa final em ataque contra defesa. O Brusque sequer conseguiu construir uma oportunidade clara, vivendo exclusivamente das intervenções do seu goleiro. Aqui, o grande nome da noite: Matheus Nogueira. Seguro, decisivo e frio, foi o responsável direto pelo ponto conquistado em Chapecó, com defesas e saídas de gol fundamentais.
Entre os destaques positivos, Clinton mostrou qualidade na finalização e boa movimentação, sendo o atacante mais lúcido. João Pedro e, sobretudo, Olávio passaram despercebidos. O centroavante teve pouca mobilidade e precisou voltou para marcar, facilitando o trabalho defensivo da Chape e contribuindo para que o Brusque fosse empurrado para trás.
Defensivamente, Alisson e Milhorim foram seguros pelo chão, mas o time voltou a sofrer nas bolas aéreas — um problema antigo do Brusque que insiste em reaparecer. Pivô e Ryan ficaram na média, com pouca força ofensiva. Raimar até teve bons momentos isolados, mas acabou apagado, assim como Gabão e Biel, que pouco conseguiram produzir.
É justo dar o desconto da estreia. Ainda assim, o segundo tempo foi pobre. Para o clássico contra o Carlos Renaux, no Augusto Bauer, a tendência é de uma postura diferente: mais agressiva, com ajustes, mudanças pontuais e maior liberdade para os homens de frente. Em casa, esperar não basta — será preciso propor.
O empate fora soma, mas o desempenho mostra que há bastante a evoluir, o que obviamente acontecerá com mais entrosamento e andamento da competição. O Catarinense apenas começou, e o Brusque precisa encontrar rápido o equilíbrio entre competir e jogar. A margem é curta, e o campeonato cobra respostas rápidas.


