A Associação Brusquense de Ciclistas (Brucicle), entidade que representa os atletas de ciclismo do município, divulgou uma nota de repúdio contra o edital do Programa Bolsa Atleta 2026, após a redução de aproximadamente 75% das vagas destinadas à modalidade em relação ao ano anterior.
A manifestação ocorre em meio a uma série de críticas ao modelo adotado pela Fundação Municipal de Esportes (FME), que vem sendo questionado por conselheiros, atletas e entidades esportivas por priorizar o esporte de rendimento com foco em resultados imediatos, inclusive com a contratação de atletas e equipes de fora do município.
Segundo a Brucicle, a justificativa apresentada pela FME para o corte de vagas no ciclismo — a suposta falta de “esforço” nos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC) — não reflete a realidade da modalidade ao longo do ano. A entidade destaca que a maioria dos ciclistas brusquenses concilia trabalho e treinos intensos, dedicando várias horas semanais à preparação esportiva.
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Em 2025, o ciclismo de Brusque conquistou diversos títulos estaduais, além de alcançar uma colocação considerada positiva no JASC utilizando exclusivamente atletas do próprio município, sem recorrer à contratação de competidores externos, prática comum em outras cidades.
A entidade também rebate a comparação feita com municípios que investem pesado na contratação de atletas de alto nível, inclusive de outros estados e até do exterior, para disputar provas específicas. “Enquanto outras cidades pagam atletas de fora para representá-las em uma única prova, os atletas de Brusque vestem a camisa do município em 10, 11, até 15 competições ao longo do ano”, afirma a nota.
Para a Brucicle, avaliar toda uma temporada com base em um único evento, especialmente em uma competição de nível elevado como o JASC, desconsidera o comprometimento, a regularidade e a tradição da modalidade na cidade. A entidade também critica o que chama de priorização seletiva do esporte, voltada a resultados que geram maior visibilidade e retorno político.
A nota ainda faz referência direta ao investimento de cerca de R$ 300 mil anuais em uma equipe de Ginástica Artística de Florianópolis, apontando contraste entre o apoio concedido a modalidades externas e o enfraquecimento de esportes tradicionais em Brusque. Para os ciclistas, além da perda de vagas, o município coloca em risco a história e o respeito conquistados pelo ciclismo brusquense em âmbito estadual e nacional.
A manifestação se soma a outros alertas feitos recentemente no Conselho Municipal de Esportes, que apontaram o risco de esvaziamento da base esportiva local e a adoção de uma política esportiva centrada apenas em desempenho pontual, sem construção de legado.
Confira a Nota de repúdio da Brucicle (na íntegra)
Venho expressar minha indignação com o processo de seleção e edital do Bolsa Atleta de Brusque deste ano. A Fundação Municipal de Esportes reduziu em 75% o número de vagas para o ciclismo, justificando a falta de “esforço” nos Jogos Abertos de Santa Catarina.
A grande maioria dos atletas de ciclismo da cidade trabalha e treina, dedicando várias e várias horas semanais. Temos vários títulos estaduais em 2025 e, ainda assim, obtivemos uma ótima colocação no JASC de 2025 utilizando apenas atletas de Brusque.
Culpa alguma ou demérito temos se outras cidades pagam atletas de fora do estado — de nível nacional e internacional — para representarem suas cidades em uma única prova. Nós, atletas de Brusque, representamos e vestimos a camisa em 10, 11, até 15 provas anuais, e a justificativa é que não tivemos bons resultados em uma prova em que o nível é altíssimo.
Pouco reflete os resultados de um ano todo de comprometimento e abdicação quando a prioridade do município é apenas quando lhe convém e quando gera marketing político.
O ciclismo brusquense perde não apenas para os gastos do município com atletas e equipes contratados de outros municípios (como os cerca de R$ 300 mil investidos em uma equipe de ginástica de Florianópolis), mas também perde sua tradição em um esporte no qual somos tão respeitados em nível estadual e até nacional.
Lamentável.


