A redução no número de vagas do Bolsa Atleta destinadas ao ciclismo em Brusque provocou insatisfação e críticas por parte de atletas da modalidade. Em reunião realizada na última terça-feira (27) pelo Conselho Municipal de Esportes, a chefe de rendimento da Fundação Municipal de Esportes (FME) e integrante da comissão do programa, Taís Cristóvão da Silva, explicou os critérios adotados para a distribuição das bolsas em 2025.
Segundo Taís, o ciclismo teve o número de vagas reduzido de 13 para apenas três atletas. A justificativa apresentada foi o desempenho da modalidade nos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) do ano passado. “O ciclismo tinha 13 vagas, mas só trouxe uma medalha para Brusque no ano passado. Por isso esse ano só ficou três atletas. Talvez eles consigam índice em outra competição e não precisem ou não se esforcem tanto nos Jasc”, afirmou.
O posicionamento, no entanto, não foi bem recebido pela comunidade do ciclismo local, que considera a análise limitada e descolada da realidade da modalidade.

Ciclismo não é uma modalidade única
Atletas contataram o EsporteSC na manhã desta quarta-feira (28) para rebater o argumento e criticar o novo projeto apresentado, que praticamente vai deixar de lado a modalidade campeã geral dos Jasc em 6 oportunidades, ao mesmo tempo em que vai investir R$ 300 mil ao ano na ginástica artística, que sequer existe em Brusque.
Os atletas destacam que o ciclismo engloba diversas categorias, cada uma com características próprias e exigências específicas, algo desconsiderado totalmente pela Prefeitura de Brusque e comissão do Bolsa-Atleta. Entre as disciplinas do ciclismo, estão: Ciclismo de Estrada; Mountain Bike (MTB XCO e MTB XCM); BMX e Downhill.
Nos Jasc, por exemplo, o ciclismo envolve múltiplas provas e formatos. “Apenas para ilustrar: três atletas no BMX, outros três no Downhill, três no MTB XCO, cinco no MTB XCM e outros cinco no Ciclismo de Estrada, além de três na prova de Contrarrelógio Individual”, destaca um atleta, pedindo sigilo da fonte. “Não gostaria de me identificar, pois já fui bolsista nos últimos anos, e não sei até que ponto isso é bom”, comenta o ciclista, com medo de ser prejudicado.
Ciclistas reforçam que – em muitos casos – um mesmo atleta disputa mais de uma prova, como ocorre no MTB XCO e XCM, ou no ciclismo de estrada e contrarrelógio. Ainda assim, os atletas questionam como será possível formar uma equipe competitiva com apenas três bolsistas para representar o município.
>> LEIA TAMBÉM – Prefeitura vai repassar R$ 300 mil para modalidade que não existe na cidade
Resultados expressivos ignorados
Atletas também criticaram o fato de a comissão ter considerado apenas o resultado obtido nos Jasc, desconsiderando o desempenho ao longo da temporada. Segundo eles, Brusque possui atletas campeões e vice-campeões catarinenses, além de resultados relevantes em competições nacionais. “Somos, em grande parte, atletas amadores. Trabalhamos, temos família, emprego e mesmo assim conseguimos treinar e competir em alto nível, representando Brusque em campeonatos estaduais e nacionais”, relata um dos ciclistas.
Ele observa que, nos Jasc do ano passado, Brusque terminou a competição de ciclismo na 5ª colocação geral, utilizando exclusivamente atletas da cidade, sem a contratação de competidores de fora. Houve atletas que chegaram a participar de diversas provas, contribuindo diretamente para a pontuação da equipe. “Seríamos campeões se tirassem os outros municípios que contratam pessoas de fora”, argumentou.
Temor de contratações externas
Outro ponto levantado é o receio de que, com a redução drástica de bolsas, o município volte a recorrer à contratação de atletas de fora apenas no período dos Jasc, prática comum em outras cidades.
“Como competir por medalhas contra municípios que trazem atletas de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul ou Paraná, se aqui o atleta local não é incentivado?”, questiona um competidor. “Haviam 13 vagas e deixaram apenas 3, isso é incentivar o esporte na cidade?”, critica um terceiro atleta. “Aí chega o dia dos Jasc vão por quem pra correr? Porque essas três vagas no ciclismo só cobre o BMX, e o resto? Mas ai deixam 300k pra uma equipe que nem é de Brusque”, crítica, ao lembrar do investimento que será feito pelo governo do prefeito André Vechi numa equipe de ginástica artística de Florianópolis.
Para os ciclistas, a finalidade do Bolsa Atleta é justamente fomentar o esporte local, tanto no âmbito amador quanto profissional, criando condições para que atletas da cidade se desenvolvam ao longo do ano.
Comunidade cobra revisão
A decisão de retirada das Bolsas gerou frustração e descontentamento entre os praticantes da modalidade, que defendem uma revisão dos critérios adotados e uma análise mais ampla do ciclismo, levando em conta suas múltiplas categorias e os resultados obtidos em competições estaduais e nacionais.
“Avaliar o ciclismo como se fosse uma única prova é uma falha grave. Muitos atletas ajudaram a equipe a pontuar e alcançar o quinto lugar geral. Isso não pode ser ignorado”, concluem.



