Padel cresce no Brasil, conquista novos públicos e derruba rótulo de elitizado

O padel, esporte de raquete jogado em duplas e em quadra cercada por vidros e telas, vive um momento de forte expansão no Brasil e no mundo. Saiba mais sobre a modalidade

por Rafael Alves
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O padel, esporte de raquete disputado em duplas e praticado em quadra cercada por vidros e telas, vive um dos momentos de maior expansão da sua história. Dados do FIP World Padel Report 2025, da Federação Internacional de Padel (FIP), indicam que a modalidade já ultrapassa 35 milhões de praticantes no mundo, com 77,3 mil quadras e mais de 24,6 mil clubes espalhados por 150 países e 20 territórios – um crescimento expressivo em relação ao ano anterior.

No Brasil, o avanço acompanha a tendência global. De acordo com reportagem da revista Exame, com números da Confederação Brasileira de Padel, o país registra a inauguração de cerca de três novas quadras por dia. Atualmente, são aproximadamente 350 clubes e mais de 700 mil jogadores amadores, com maior concentração nas regiões Sul e Sudeste.

Número de jogadores de Padel cresce exponencialmente no Brasil

Em Brusque e região, o cenário também é de expansão. A procura por aulas, locação de quadras e participação em torneios vem aumentando, refletindo o interesse crescente pela modalidade. O atleta e professor Ignacio Giuliani, que atua como instrutor no município e disputa competições, destaca que o padel combina intensidade com facilidade de aprendizado, o que ajuda a atrair públicos diversos.

“O padel é democrático porque a pessoa começa a jogar e, em pouco tempo, já consegue trocar bola e entender a dinâmica. Como é disputado em dupla, acaba sendo muito social. Você cria amizades, estabelece uma rotina e evolui gradualmente”, afirma.

A ideia de que o padel seria um esporte restrito a um público específico também vem sendo relativizada. Com a ampliação do número de clubes, oferta de horários promocionais, turmas para iniciantes e aluguel de equipamentos em diversas arenas, o acesso se tornou mais viável, ampliando o perfil dos praticantes.

Entre os novos adeptos está a product designer Raissa de Paiva Santana, 37 anos, que começou a praticar recentemente e se surpreendeu com o ambiente encontrado.

“Eu tinha a impressão de que era um esporte de nicho, mas percebi que é muito mais acessível do que parece. O ambiente ajuda muito: as pessoas jogam, conversam, combinam partidas. É um esporte que dá vontade de continuar”, relata.

Além do crescimento no número de praticantes, os dados internacionais também mostram avanço na estrutura competitiva. O relatório da FIP aponta aumento no número de torneios organizados pela entidade, passando de 182 em 2024 para 290 em 2025, além da ampliação de membros registrados em federações nacionais. Projeções da plataforma Playtomic, em parceria com a consultoria Strategy& (PwC), indicam que o mundo pode alcançar 70 mil quadras até 2026.

Para Ignacio, o crescimento tende a se manter impulsionado pelo ciclo natural do esporte. “A procura cresceu muito. Muita gente começa de forma recreativa e, quando percebe, quer treinar mais e disputar campeonatos. Isso gera mais alunos, mais jogos e mais eventos, consolidando o padel na cidade e na região”, completa.

Fotos: Arquivo Pessoal/Ignacio Giuliani