[EDITORIAL]: Entre a censura, as promessas e as goteiras: A Arena continua esperando…

Enquanto autoridades posam para fotos anunciando reformas, atletas continuam jogando com baldes e água na quadra — e agora mais um jogador foi parar no hospital.

por Sidney Silva
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Quantos atletas ainda precisarão se machucar para que a Arena Brusque deixe de ser tratada como promessa e passe a ser tratada como prioridade?

A cena desta semana é vergonhosa.

Um atleta cai em uma quadra molhada. Precisa receber atendimento e é levado ao hospital com suspeita de lesão ligamentar. Ao redor, baldes tentando conter a água que desce do teto, panos espalhados pelo piso e jogadores obrigados a disputar uma partida em condições que jamais deveriam ser consideradas normais.

Mas o mais revoltante é que ninguém pode dizer que não sabia.

A Prefeitura sabe.

A Fundação Municipal de Esportes sabe.

Os atletas sabem.

A imprensa já mostrou.

E o EsporteSC vem cobrando esse problema há anos.

Em diferentes momentos, a Prefeitura anunciou que finalmente resolveria o problema do telhado. Houve promessa de reforma, anúncio público, divulgação para a imprensa e até ordem de serviço assinada para a recuperação do telhado.

Teve foto. Teve anúncio. Teve discurso.

E agora, quase um ano depois, ainda tem balde dentro da Arena.

É difícil não perguntar: para que serviu toda aquela cerimônia se a água continua caindo na quadra?

O episódio envolvendo o EsporteSC também não pode ser esquecido. Quando o jornal, até hoje único veiculo de comunicação a fazer cobranças sobre as obras, pediu respostas sobre a Arena e outras questões da administração, sofreu retaliação e tentativa de censura por parte do Poder público.

Mas a cobertura continuou.

Porque imprensa não existe para posar ao lado de ordem de serviço.

Imprensa existe para voltar ao local depois da foto e perguntar: a obra foi feita? Funcionou? O problema acabou?

E hoje a resposta está dentro da própria Arena.

Não acabou.

O que aconteceu nesta semana é ainda mais grave porque não estamos falando apenas de patrimônio público ou de uma infiltração no teto.

Estamos falando de pessoas.

De atletas.

De jovens que entram em quadra para praticar esporte e que não deveriam precisar escolher entre jogar em uma superfície molhada ou correr o risco de sofrer uma punição esportiva.

E, mesmo depois de um jogador se machucar, os atletas ainda tiveram que voltar para cumprir os últimos 30 segundos da partida. A resposta deles foi simbólica: ficaram tocando a bola de um lado para o outro, esperando o cronômetro terminar.

É uma imagem que deveria envergonhar qualquer gestor público.

Brusque é uma cidade que já perdeu oportunidades demais por problemas de gestão, falta de manutenção e descaso com estruturas esportivas.

E isso é especialmente contraditório em uma administração que gosta de apresentar sua relação com o esporte como uma de suas bandeiras.

Não basta dizer que é do esporte. É preciso cuidar do esporte.

Não basta entregar uniforme, anunciar competição, inaugurar evento ou posar para fotografia.

É preciso garantir que o atleta tenha uma quadra segura para jogar.

Porque a fotografia da assinatura da ordem de serviço fica bonita no arquivo da Prefeitura.

Mas a fotografia do balde dentro da quadra também fica.

E essa segunda imagem é a que deveria incomodar.

Muito.

Quantos acidentes ainda serão necessários?

Quantos atletas precisarão sair carregados da Arena?

Quantas vezes ainda veremos baldes no lugar de uma solução definitiva?

A Arena Brusque não precisa de mais uma promessa.

Precisa que a promessa que já foi feita seja cumprida.