Jovem promessa do jiu-jitsu de Brusque busca apoio para disputar Campeonato Europeu na Irlanda

Aos 13 anos, a brusquense Ana Clara Simão se destaca no jiu-jitsu e se prepara para disputar o Campeonato Europeu da modalidade, nos dias 18 e 19 de abril, na Irlanda. Família busca apoio para viabilizar a viagem

por Rafael Alves
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Aos 13 anos, a brusquense Ana Clara Simão já soma títulos importantes no jiu-jitsu e agora tem um novo desafio pela frente: disputar o Campeonato Europeu da IBJJF (Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro ), um dos torneios mais importantes da modalidade no mundo, marcado para os dias 18 e 19 de abril, em Dublin, na Irlanda. Para conseguir participar da competição, porém, a atleta e a família ainda buscam apoio financeiro.

Ana Clara começou no jiu-jitsu em 2020, quando tinha apenas 7 anos, e iniciou nas competições aos 9 anos. Diagnosticada com autismo nível 1 de suporte e TDAH, ela encontrou no esporte uma ferramenta de desenvolvimento e superação. Segundo a família, desde que passou a treinar, a evolução pessoal e social da jovem foi muito significativa.

Dentro dos tatames, os resultados também apareceram rapidamente. Ana Clara já conquistou dois títulos mundiais CBJJE (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo), além de ter sido top ranking do Circuito Catarinense Mormaii de Jiu-Jitsu (FJJ-SC) em 2024. No cenário estadual, acumula quatro títulos catarinenses, sendo dois conquistados em um mesmo ano após competir e vencer em duas categorias de peso diferentes. Ainda entre seus principais resultados está a medalha de bronze no Campeonato Brasileiro Kids de 2025.

Em 6 anos de trajetória, Ana Clara Simão tem resultados de destaque no jiu-jitsu

Busca por apoio

Apesar da classificação e da expectativa para competir na Irlanda, a participação ainda depende de recursos financeiros. A família explica que existe um projeto aprovado no Programa de Incentivo ao Esporte de Santa Catarina, que permitiria captar recursos por meio de empresas que destinam parte do ICMS ao apoio esportivo.

Segundo os familiares, o projeto foi aprovado em terceiro lugar no estado, mas ainda faltam empresas parceiras para viabilizar a viagem.

“A Ana participa do Instituto Arte Mais Suave e o professor elaborou um projeto pelo Programa de Incentivo ao Esporte. Ele foi aprovado, mas depende da adesão de empresas para liberar os recursos. Até agora conseguimos apenas duas, e o valor ainda é muito baixo para custear a viagem”, explica a família.

Com o campeonato se aproximando, a alternativa seria arcar com os custos de forma particular, algo que se tornou ainda mais difícil diante do aumento no preço das passagens internacionais.

“As passagens subiram muito nos últimos meses e ainda não conseguimos o valor necessário. Já recebemos ajuda de alguns empresários, mas o custo para ir até a Irlanda é alto. Seguimos na esperança de conseguir novos apoiadores para que ela possa competir”, acrescentam.

Uma história de superação

A trajetória de Ana Clara também é marcada por desafios desde o nascimento. Ela nasceu prematura extrema, com apenas 690 gramas, enfrentando diversas complicações nos primeiros meses de vida.

“Ela teve hemorragia cerebral, infecção hospitalar e chegou a sofrer três paradas cardiorrespiratórias. Ficou mais de dois meses e meio no oxigênio porque o pulmão ainda não estava totalmente formado”, relata a família.

Apesar das dificuldades iniciais, Ana Clara não ficou com sequelas físicas. Anos depois veio o diagnóstico de autismo, condição que também exigiu adaptações ao longo da vida – inclusive no esporte.

“No começo ela tinha muita sensibilidade auditiva e chegava a passar mal com o barulho dos campeonatos. Durante cerca de dois anos competiu usando abafador de ouvido. Hoje ela já não precisa mais. Cada dia é uma batalha, cada dia uma vitória, mas o amor pelo jiu-jitsu nunca deixou ela desistir”, contam os familiares.

Sonhos dentro e fora do tatame

Determinada, Ana Clara já sabe exatamente o que quer para o futuro. A jovem sonha em construir uma carreira no esporte e ajudar outras pessoas por meio do jiu-jitsu.

“Eu quero ser lutadora profissional de jiu-jitsu, virar faixa preta e abrir uma academia primeiro no Brasil e depois em outro país. Também quero fazer faculdade de Educação Física”, afirma.

Enquanto se prepara para novos desafios – incluindo o Campeonato Brasileiro novamente em junho e outras competições ao longo do ano – a jovem segue treinando e buscando apoio para realizar o sonho de competir na Europa.

“Estou tentando conseguir ajuda para ir ao Europeu. Quem puder apoiar, vai me ajudar muito a continuar minha carreira”, finaliza a atleta.

Fotos: Família/Divulgação