Brusquense transforma paixão pelo esporte em carreira na fotografia

A brusquense Amanda Sestrem, de 25 anos, transformou sua paixão pelo esporte em uma carreira na fotografia. Apaixonada por futebol e influenciada pelo universo esportivo desde a infância, ela começou a fotografar há poucos meses e já conquistou reconhecimento entre atletas e equipes da região

por Rafael Alves
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O esporte sempre esteve presente na vida da brusquense Amanda Sestrem, de 25 anos. Apaixonada por futebol desde a infância e torcedora fanática do Vasco da Gama, ela encontrou na fotografia uma forma de unir duas grandes paixões: o esporte e o registro de momentos especiais. O que começou de maneira despretensiosa há poucos meses se transformou em uma nova profissão e em um caminho repleto de aprendizados, desafios e sonhos.

A relação com a fotografia nasceu antes mesmo de Amanda perceber. Frequentando jogos de futebol e acompanhando campeonatos de vôlei da noiva, ela passou a observar o trabalho realizado pelos fotógrafos esportivos. Gostava de analisar os registros, acompanhar os resultados das imagens e produzir vídeos das partidas. Na época, porém, ainda não imaginava que seguiria por esse caminho.

A virada aconteceu em janeiro deste ano, durante o casamento de um casal de amigos. Convidada para gravar um vídeo simples da cerimônia, Amanda decidiu se dedicar além do esperado. O resultado surpreendeu os noivos e também as pessoas que acompanharam o trabalho.

“Quando viram o resultado, começaram a me incentivar. Muitos disseram que eu deveria investir nessa área. Eu gostei da ideia, mas ainda não tinha nenhum plano concreto”, relembra.

Pouco tempo depois, surgiu um anúncio de uma câmera fotográfica no Marketplace. Mesmo sem experiência com equipamentos profissionais, ela resolveu arriscar.

“Eu não sabia praticamente nada sobre fotografia. Nunca tinha usado uma câmera profissional e não fazia ideia de por onde começar. Mas resolvi tentar.”

A decisão marcou o início de uma intensa rotina de aprendizado. Amanda conta que passou noites assistindo a vídeos, estudando configurações e pesquisando técnicas para entender o funcionamento da câmera. A curiosidade rapidamente se transformou em paixão.

Primeiros cliques e a descoberta de uma nova paixão

Os primeiros testes aconteceram na Arena MIT, em Brusque, durante partidas de vôlei entre amigos. A intenção inicial era apenas aprender a utilizar o equipamento, mas a experiência despertou algo maior.

“Eu percebi que aquilo me deixava feliz. As fotos estavam longe de serem perfeitas, mas eu pesquisava, errava, apagava e tentava de novo. Foi um processo constante de aprendizado.”

Desde então, Amanda passou a estudar diariamente. Além de consumir conteúdos sobre fotografia, ela também analisava o trabalho de profissionais experientes em busca de evolução.

Nesse processo, uma pessoa teve papel fundamental em sua trajetória: o fotógrafo esportivo Gabriel Borges.

“Eu já acompanhava o trabalho dele e sempre admirei o que fazia. Um amigo comentou com ele que eu havia começado a fotografar e, de alguma forma, ele enxergou potencial em mim antes mesmo de eu enxergar. Ele compartilhou conhecimento, respondeu dúvidas e continua me ajudando até hoje. Grande parte do que sei devo aos ensinamentos dele, sem deixar de reconhecer também todo o esforço que tive para aprender.”

Apoio da família foi decisivo

Com o surgimento dos primeiros trabalhos, veio também a necessidade de investir em equipamentos mais avançados. Foi nesse momento que os pais de Amanda se tornaram peças fundamentais para que ela pudesse continuar crescendo.

“No começo, o retorno financeiro ainda era pequeno e eu não tinha condições de fazer investimentos maiores sozinha. Mesmo assim, meus pais acreditaram em mim. Eles compraram esse sonho junto comigo e me ajudaram a dar os primeiros passos para adquirir equipamentos melhores.”

Amanda faz questão de relembrar a participação da família em seu começo na profissão

O apoio da família permitiu que Amanda ampliasse sua atuação e passasse a registrar diferentes modalidades esportivas, acumulando experiências em um curto período de tempo.

O futebol como paixão principal

Embora tenha fotografado diversas modalidades desde que iniciou sua trajetória, foi no futebol que Amanda encontrou sua maior identificação. Segundo ela, a conexão vem da própria história de vida. O esporte sempre esteve presente em sua rotina, seja como atleta, torcedora ou espectadora. Hoje, atrás das lentes, ela encontrou uma nova forma de vivenciar essa paixão.

“Talvez seja pela emoção que existe em cada lance ou pela sensação única de congelar, em uma fotografia, momentos que passam em questão de segundos.”

Além de registrar partidas, Amanda também tem visto seu trabalho ganhar reconhecimento entre atletas e equipes da região. As mensagens recebidas de jogadores, os compartilhamentos nas redes sociais e os convites para fotografar competições são sinais de que o esforço dos últimos meses vem trazendo resultados.

“Sinceramente, às vezes eu ainda nem acredito. Parece que foi ontem que eu estava indo fotografar meus amigos jogando vôlei só para aprender a mexer na câmera, sem nenhuma pretensão. Hoje, quando vejo atletas usando minhas fotos, compartilhando meu trabalho ou me chamando para registrar um jogo, sinto que todo o esforço está valendo a pena.”

Para ela, uma das maiores satisfações da profissão é saber que os registros produzidos ficarão guardados como lembrança de momentos importantes na trajetória esportiva de outras pessoas.

Fotógrafa brusquense ganhou rápido reconhecimento na região registrando momentos esportivos

“Saber que aquela lembrança vai ficar guardada através de uma foto que eu fiz é algo muito gratificante. Acho que o reconhecimento é consequência de fazer as coisas com dedicação e amor.”

Sonhos que seguem no foco da lente

Apesar da rápida evolução nos últimos meses, Amanda sabe que ainda tem um longo caminho pela frente. Entre os objetivos profissionais, estão a cobertura de grandes eventos esportivos e a oportunidade de trabalhar em competições de alto nível.

Entre os sonhos, ela cita o desejo de fotografar partidas do Brusque Futebol Clube e também uma etapa da Liga das Nações de Vôlei (VNL), modalidade que teve papel importante no início de sua trajetória.

“Eu costumo brincar que sonho grande, mas muitas coisas que eu sonhei acabaram acontecendo de alguma forma. Então sigo acreditando e trabalhando para que novas oportunidades apareçam.”

No entanto, existe um sonho que ocupa um lugar especial em sua lista.

“Se tem um sonho que fica no topo da lista, é fotografar um jogo do Vasco da Gama. Sou vascaína desde que me conheço por gente e poder unir a fotografia com a paixão pelo clube seria algo muito especial. Acho que seria um daqueles momentos em que eu precisaria me lembrar de que estou ali para trabalhar e não para torcer”, brinca.

Enquanto esse dia não chega, Amanda segue construindo sua história por meio das imagens. Uma trajetória que começou com um simples vídeo de casamento, passou por uma câmera comprada sem experiência e hoje já coleciona diversos registros especiais. A fotografia não surgiu por acaso, apenas encontrou o momento certo para se revelar.