O prefeito de Brusque, André Vechi (PL), defendeu, em entrevista concedida à Rádio Cidade (foto), o valor gasto de aproximadamente R$ 800 mil para a realização do “show gratuito” do cantor Michel Teló, marcado para o dia 3 de agosto, dentro da programação oficial dos 166 anos do município.
Ao justificar a contratação da atração nacional, Vechi afirmou que a Prefeitura registrou um superávit de R$ 41 milhões, destacando que o gasto com o evento não comprometerá os investimentos em outras áreas da administração.
Segundo o prefeito, “não falta dinheiro para as outras áreas”, rebatendo as críticas relacionadas ao valor destinado ao show.
A declaração, no entanto, reacendeu questionamentos sobre as prioridades da gestão municipal. Muitos tratam a situação como uma forma de desviar os verdadeiros focos da cidade promovendo entretenimento à população, o que popularmente é conhecido como “política do pão e circo”.
Enquanto Brusque gastará R$ 800 mil no show de aniversário do município, Guabiruba, por exemplo, anualmente realiza o mesmo evento com apoio totalmente da iniciativa privada, sem onerar os cofres públicos.
Um dos principais exemplos apontados da incoerência do prefeito é a situação da Arena Brusque, que desde o início do atual governo aguarda uma solução definitiva para o problema do telhado. Enquanto o prefeito comemora um superávit de R$ 41 milhões, a recuperação da estrutura, estimada em cerca de R$ 500 mil, segue sem solução. O principal espaço esportivo de Brusque, inclusive, já foi alvo de diversos acidentes.
Ao longo da gestão, a Prefeitura anunciou em diferentes momentos que a obra seria realizada. Entretanto, até agora, a reforma ainda não saiu do papel, mantendo um dos principais espaços esportivos do município com restrições de uso e gerando reclamações de atletas, dirigentes e entidades esportivas.
Críticas em diversas áreas
As críticas também se estendem a outras áreas da administração. Gastos recordes com marketing e publicidade chamam a atenção no governo municipal, que já gastou quase R$ 2 milhões em propaganda este ano. No ano passado, foram aproximadamente R$ 4 milhões.
Chama a atenção, também, o fato de boa parte desse valor ser gasto com veículos aparentemente “alinhados” com a gestão. Em grandes partes destes veículos só é possível ver matérias positivas sobre o governo.
Recentemente, portais de alcance regional e estadual, inclusive, passaram a dar (do dia para a noite) diversos destaques à gestão do prefeito André Vechi e Deco Batisti, curiosamente após começarem a receber valores vultosos de publicidade.
Enquanto o governo afirma que há recursos suficientes e que o investimento no show não prejudica outros setores, moradores seguem apontando também problemas na saúde, escolas que ainda enfrentam falta de aparelhos de ar-condicionado e diversas demandas de infraestrutura e manutenção espalhadas pelo município.
Nas redes sociais e entre lideranças políticas da oposição, a contratação do show tem sido alvo de questionamentos. Para críticos, como o vereador Rick Zanata (NOVO) se o município possui um superávit de R$ 41 milhões, “seria possível atender demandas consideradas prioritárias antes de investir R$ 800 mil em uma única atração artística”.
O debate ganha ainda mais repercussão por envolver uma administração que frequentemente destaca a “responsabilidade fiscal” e a “eficiência na aplicação dos recursos públicos”. Nesse contexto, críticos questionam por que problemas considerados históricos, como a recuperação da Arena Brusque, continuam sem solução, enquanto recursos foram rapidamente disponibilizados para a programação festiva do aniversário da cidade.
Até o momento, a Prefeitura de Brusque não anunciou uma nova data para o início da reforma do telhado da Arena Brusque.
Foto: Rádio Cidade FM



