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Um olhar por dentro do Circuito Sesc Caminhadas na Natureza

"Fiquei surpresa ao ver muitas pessoas de guarda-chuva ou de capa aguardando o início da caminhada. Idosos, crianças, famílias inteiras. Como aquelas senhorinhas iriam percorrer aqueles dez quilômetros e meio de morro?"

por Redação
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O primeiro pensamento que veio a mente quando o celular despertou às 7 horas de domingo do dia 19 foi: “Por quê me comprometi em ir para uma caminhada em pleno domingo?”. Se pelo menos tivesse saído o sol, mas chuva e frio só combinam com cama, filme e casa. Liguei para meu amigo dizendo que seguisse sem mim, pois estava cansada, tinha ainda a faxina por fazer, iria pegar um resfriado e ‘blábláblá’. Aquelas desculpas que apesar de serem muitas, não convencem.

Foi ele me lembrar de que havia vindo de Botuverá e que seu esforço havia sido muito maior que o meu para eu perceber que não restava outra saída: pulei da cama, vesti uma roupa confortável, peguei minha garrafa de água, umas bergamotas e fui. Seguimos de carro para a concentração no Lageado Baixo ao som de Victor e Leo.

Fiquei surpresa ao ver muitas pessoas de guarda-chuva ou de capa aguardando o início da caminhada. Idosos, crianças, famílias inteiras. Como aquelas senhorinhas iriam percorrer aqueles dez quilômetros e meio de morro? Desatenta, deixava meus preconceitos perambularem pela minha mente enquanto retirava a camiseta da caminhada com os funcionários do Sesc debaixo de tendas instaladas no início do percurso.

O aquecimento com a instrutora durou alguns minutos, suficiente para esboçar os primeiros sorrisos com as brincadeiras de um escoteiro. A disciplina dos escoteiros mirins – lobinhos de Brusque e as músicas que cantavam chamavam a atenção. Aos poucos, o semblante fechado de quem preferia ter ficado em casa foi desaparecendo e comecei a me envolver na atividade. 

Acelerei o passo e fiquei no grupo “de frente”. Troquei ideias. Conheci histórias. Me contaram que tomar limão em jejum ajuda com os problemas respiratórios. Descobri que há senhorinhas que preferem a corrida à caminhada e que muitas pessoas não entendem como pode alguém viver sem atividade física (eu me perguntava como alguém consegue fazer tanta atividade física). Conheci a luta de um homem contra o câncer de estômago e a importante herança que deixa para o filho: o gosto pela atividade física. Eduardo e o filho Bryan, de 7 anos, caminhavam lado a lado. 

Avistei atletas embarrados e gemendo de dor deitados ao lado das suas bicicletas na beira da estrada. Ficaram pelo caminho nas provas do Ecorace – Corrida de Aventura que acontecia naquele momento.

Segunda metade do trajeto

Cinco quilômetros percorridos e a primeira parada. Fomos recepcionados pelo Grupo Tutti Buona Gente no salão da Capela Imaculada Conceição do Lageado Alto com dança, história e um café da manhã. Soube que integrantes do grupo madrugaram para preparar cuca fresquinha e café para nós. Não doaram somente seu trabalho e alimentos, mas a contagiante alegria e entusiasmo. Comi, bebi, posei pra foto, dancei, agradeci e fiquei impressionada com a dedicação. 

Na mesma parada, conheci o Memorial Ítalo Guabirubense Sacristão Francesco Celva e os antigos objetos utilizados pelos imigrantes italianos. A arquitetura do espaço é acolhedora e são muitos os artigos expostos, inclusive têm caixões, o que não me passou uma energia muito positiva. 

No segundo trajeto, concentrei-me em mim mesma e na natureza. Mantendo o ritmo, recordei a primeira vez que entrei no Lageado Alto e o quanto fiquei encantada com os cenários. Rios, pequenas cachoeiras, casas lindas, árvores carregadas de frutas, pássaros. Ouvi o canto dos pássaros, o barulho do vento e os sons da natureza. Quando percebi, pelznickel saiu da mata. Ambientada com eles, dei um tchau e depois ouviria a gritaria das crianças ao cruzarem com eles.

Senti as pernas cansarem e a respiração ficar ofegante subindo o morro entre a entrada do Parque Lá nas Trutas e o Santo Antônio. Mas a vista do Santo Antônio é revigorante. Contemplada a paisagem, segui para o Parque Lá nas Trutas. Fiquei feliz ao avistar a chegada, onde o Grupo Alle Tanzen Zuzamenn nos recepcionava com seus trajes de encantar os olhos. Chegávamos juntos com os exaustos participantes do Ecorace.

Fiquei feliz por ter saído da cama. Fiquei grata ao meu amigo pelo empurrãozinho, grata a Deus por tamanha genialidade na construção do mundo. E eu, que estou construindo minha lista da felicidade, encontrei no contato com a natureza e na caminhada mais um item para anotar nela.