Coordenador preso pela DIC também integra comissão que define entidades beneficiadas pelo Bolsa-Atleta em Brusque

Maicon Cesari é integrante do Conselho Municipal de Esportes e participa da comissão responsável pela análise dos projetos e definição das entidades contempladas pelo programa

por esportesc
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O caso envolvendo a suspeita de repasse irregular de valores do Bolsa-Atleta em Brusque ganha um novo elemento. Maicon Cesari, preso em flagrante pela Delegacia de Investigação Criminal (DIC) nesta quarta-feira (9), além de coordenar uma entidade esportiva, também integra o Conselho Municipal de Esportes (CME) de Brusque e participa da comissão responsável pela análise do Bolsa-Atleta.

Na comissão, Cesari atua como representante do Conselho Municipal de Esportes no processo de avaliação dos projetos apresentados pelas entidades. O grupo, que conta também com servidores comissionados da Fundação Municipal de Esportes, participa da análise das propostas e da definição de quais entidades e projetos serão contemplados pelo programa municipal.

A participação ganha relevância diante da investigação conduzida pela Polícia Civil, que apura a suspeita de que um atleta beneficiado pelo Bolsa-Atleta estaria sendo obrigado ou induzido a repassar integralmente o valor recebido mensalmente a uma entidade esportiva.

Investigação aponta repasse de R$ 1.250

Segundo a investigação da DIC, um atleta recebia R$ 1.250 mensais por meio do programa e teria sido induzido a entregar integralmente o benefício à entidade.

A Polícia Civil afirma que a prática vinha ocorrendo desde 2025 e que os valores já teriam ultrapassado R$ 20 mil.

Após receber uma denúncia anônima no fim de agosto, a DIC passou a acompanhar o caso. Nesta quarta-feira (9), os investigadores receberam a informação de que um novo repasse seria realizado.

O atleta teria sacado o benefício e se deslocado até as proximidades da Arena Brusque, onde entregou o dinheiro em espécie a Cesari.

A Polícia Civil realizou a abordagem logo depois e encontrou o dinheiro com o investigado, que foi conduzido à Delegacia.

Ainda segundo a investigação, Cesari teria alegado que os valores recebidos seriam destinados à instituição e posteriormente divididos entre os atletas.

A Polícia Civil agora apura se outros beneficiários do Bolsa-Atleta também teriam realizado repasses semelhantes.

Integrante da entidade e da comissão do Bolsa-Atleta

Além de coordenar a Associação de Pais e Voluntários dos Atletas Especiais de Brusque (APVAEB), Cesari ocupa uma cadeira no Conselho Municipal de Esportes e participa da comissão ligada ao Bolsa-Atleta.

A comissão tem papel importante dentro do programa, já que seus integrantes participam da análise dos projetos e das entidades inscritas e da definição dos contemplados.

Ou seja, o investigado não estava apenas ligado a uma entidade beneficiária do sistema esportivo municipal. Ele também participava, como representante do Conselho, do processo institucional de avaliação das entidades que poderiam receber recursos do programa.

É importante destacar que a prisão e a investigação não significam, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade na atuação de Cesari dentro da comissão do Bolsa-Atleta. A eventual existência de relação entre sua atuação institucional e os fatos investigados pela Polícia Civil precisará ser apurada pelas autoridades competentes.

Caso reforça necessidade de fiscalização

O episódio também deverá aumentar a cobrança por mecanismos de fiscalização do Bolsa-Atleta.

Em janeiro deste ano, o conselheiro Sidney Silva apresentou ao Conselho Municipal de Esportes uma Nota Técnica apontando uma série de vulnerabilidades no edital e na estrutura do programa.

Entre os pontos levantados estava justamente o risco de retenções informais de valores e acordos paralelos entre entidades e atletas.

O documento também apontava que o modelo poderia criar uma relação de dependência entre entidades e beneficiários e recomendava medidas como declarações individuais dos atletas, auditorias por amostragem e um canal direto e independente de denúncias.

Para Silva, a investigação atual não permite afirmar que as falhas apontadas na nota tenham relação direta com o caso, mas reforça a necessidade de fiscalização e revisão dos mecanismos de controle do programa.

Investigação pode apontar novas vítimas

A DIC solicita que possíveis outras vítimas procurem a Polícia Civil para prestar depoimento.

A apuração deverá buscar esclarecer quantos atletas podem ter sido submetidos a eventuais repasses, desde quando isso ocorreria e qual seria a destinação dos valores.

O EsporteSC não localizou, até o momento, manifestação de Maicon Cesari ou da APVAEB sobre as acusações. O espaço permanece aberto para manifestação do investigado e da entidade.

Informações apuradas pelo EsporteSC a partir das informações divulgadas pela DIC, Brusque Discovery e Portal Visão Mais.


Foto: Reprodução/Ilustração IA