Meses antes de prisão de coordenador, conselheiro alertou para brechas no Bolsa-Atleta de Brusque

Nota técnica apresentada por Sidney Silva ao Conselho Municipal de Esportes, em janeiro, já apontava risco de retenções informais, acordos paralelos e falta de fiscalização no programa.

por esportesc
0

Em 27 de janeiro de 2026, o conselheiro municipal de Esportes Sidney Silva apresentou ao Conselho Municipal de Esportes de Brusque uma Nota Técnica intitulada “Análise de vulnerabilidades no edital do Programa Bolsa Atleta – Município de Brusque”.

O documento que foi compartilhado com funcionários do alto escalão da Prefeitura de Brusque apontava uma série de fragilidades no modelo adotado pelo município e alertava para riscos de distorções na aplicação dos recursos, desperdício de dinheiro público, perda de credibilidade do programa e até futura judicialização.


Entre os pontos levantados estava justamente a autonomia excessiva das entidades na indicação dos atletas e dos valores das bolsas. A nota apontava que, embora o pagamento fosse realizado diretamente ao atleta, o modelo poderia criar uma assimetria de poder entre entidade e beneficiário, além de um ambiente propício a pressões, acordos informais e distorções.

Outro item tratava especificamente do risco de retenções informais e acordos paralelos. A nota alertava que as entidades poderiam condicionar a permanência do atleta à devolução informal de valores e recomendava, entre outras medidas, declaração individual obrigatória dos atletas, auditoria por amostragem e a criação de um canal direto e independente de denúncia junto ao Conselho. Nada disso, no entanto, foi levado adiante pela Prefeitura de Brusque.


O documento também defendia maior fiscalização sobre os recursos e mecanismos para garantir que o dinheiro destinado aos atletas fosse efetivamente utilizado para a finalidade prevista pelo programa.


Alerta ganha novo peso após investigação
Na avaliação de Sidney Silva, a prisão de um coordenador esportivo realizada pela DIC não permite concluir que as falhas apontadas na nota tenham relação direta com o caso investigado. No entanto, o episódio reforça a preocupação apresentada meses antes.
“Não podemos afirmar que o que aconteceu agora foi provocado pelas falhas que apontamos. Isso cabe à investigação da Polícia Civil. O que podemos assegurar é que já havíamos identificado riscos e alertado formalmente o Conselho e a Prefeitura sobre a necessidade de mais controle, fiscalização e transparência”, afirma.


O conselheiro também pretende reforçar a cobrança dentro do CME para que o programa seja acompanhado de maneira mais rigorosa e para que as recomendações apresentadas na Nota Técnica sejam consideradas.

Foto Ilustrativa | Reprodução IA