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Especial Mês da Mulher: Sonho diário

Árbitra do quadro da FCB, Iana saiu de Rondônia em busca de novas oportunidades em SC

por Master
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Aos 28 anos, a acreana Iana dos Santos Sampaio Silva vive hoje em Santa Catarina um sonho diário que está longe do fim. Árbitra de basquetebol, ela faz parte de um seleto, e ainda hoje restrito, número de mulheres que resolveram ingressar no quadro de arbitragem da modalidade.

Mesmo sem nunca ter atuado uma vez como atleta, Iana, aos poucos, se sentiu envolvida pela modalidade que hoje é sua paixão e mexeu com toda a sua vida. O início na carreira foi de repente, num estágio da faculdade de Educação Física, já no estado de Rondônia, quando ela teve a oportunidade de atuar como mesária em alguns jogos, ainda no ano de 2013. “Mas era algo que eu não gostava. Joguei futsal até os 18 anos”, comenta.

A necessidade, no entanto, aos poucos virou hobby, e abriu portas para a hoje árbitra do quadro da Federação Catarinense de Basketball. “Um ano depois, em 2014, eu apitei minha primeira partida Nunca vou esquecer”, comenta ela.

O gosto cada vez maior pela modalidade gerou estudos, aperfeiçoamento e também a expectativa de um sonho: chegar ao quadro nacional da arbitragem brasileira. “Eu fiz todo o planejamento da minha vida com base no basquete. Com 25 anos eu queria estar na arbitragem nacional”, diz ela.

O objetivo, no entanto, não se concretizou. Iana acabou vetada por seu coordenador e, vendo-se prejudicada, achou melhor buscar os sonhos da carreira em outro lugar.

A chegada a Brusque
Em um momento crucial da vida e da carreira, Iana foi obrigada a fazer escolhas. O fato do marido Roberson Leandro da Silva ter parentes em Brusque foi um gatilho para que Santa Catarina pudesse ser a sua escolha. “Eu já ouvia falar muito bem do Sul e Sudeste. Sabia que nestes locais teria mais oportunidades”, conta ela.  “Quando apareceu a oportunidade, meu esposo deixou o trabalho e tudo que tínhamos para vir pra cá”, comenta.

Em Santa Catarina, o caminho foi aberto por uma pessoa a quem hoje Iana considera uma espécie de madrinha. Dóris Castro [In memoriam], coordenadora de arbitragem da FCB, ficou sensibilizada por um pedido de um amigo vereador de Joinville, que havia recebido boas recomendações de outro contato de Rondônia que se dispôs a ajudá-la. “A Dóris me ajudou muito. Eu larguei tudo e vim pra cá, pois teria que estar na cidade até o dia 2 de fevereiro”, lembra a árbitra, que logo teve a primeira oportunidade: o Campeonato Catarinense de 2020. “Lembro que estava muito ansiosa. Nunca havia apitado. Não conhecia ninguém”, conta Iana. “Aquele dia, a Dóris me perguntou se eu estava nervosa e respondi: – Dóris, eu dei um apito sozinha só para ver se eu estava na quadra mesmo”, conta, aos risos, sobre o momento.

Iana largou tudo o que tinha para seguir seu sonho em terras catarinenses – Fotos: Sidney Silva


O que Iana não esperava é de que a pandemia, que logo se iniciou, a partir do mês de março, mais uma vez adiasse um pouco seu sonho. “Logo parou tudo e ficamos naquela incerteza, sem eventos e sem poder trabalhar. Foi bem difícil”, comenta ela, que chegou a apitar algumas poucas competições neste período, e agora já vive a expectativa com a normalização do calendário da FCB a partir desse ano. “A perda da Dóris (falecida no fim de 2021, vítima de um câncer) foi bem difícil pra mim, pois ela foi uma pessoa que me acolheu bem e me abriu muitas portas. Atualmente tenho 28 anos, e no máximo posso ter 30 para ser filiada ao quadro nacional. Mas o basquete é uma coisa que dá sentido a minha vida e farei o possível para realizar esse sonho”, finaliza ela, com uma frase. “Amo o que faço, e faço porque amo”.