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Lageana deixa Santa Catarina para realizar sonho de jogar no vôlei americano

Em busca do sonho americano, Leticia Fernandes, 22 anos, deixou Lages em 2019 para jogar nos EUA.

por Lúcia Chaves
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A lageana Letícia Fernandes, 22 anos, deixou Lages em agosto de 2019 para realizar o sonho de se tornar atleta de voleibol nos Estados Unidos. Letícia revela que sempre teve curiosidade em saber como era o vôlei americano e diz estar realizando um sonho. “Foi algo que sempre sonhei. Procurava saber como era o vôlei nos Estados Unidos, nas universidades, mas era uma realidade muito distante até essa oportunidade surgir”.

 

A atleta conheceu o projeto americano através de uma amiga em 2018, quando jogaram juntas em Araraquara, interior de São Paulo.

O convite para jogar na Flórida veio através de sua ex-colega de equipe, que informou a Letícia que o treinador estava precisando de uma levantadora. “É claro que disse sim. Fiquei muito feliz com a possibilidade de jogar em outro país. Principalmente sendo nos Estados Unidos, onde o vôlei universitário é espetacular e tem muita qualidade”.

Após o convite aceito, a levantadora lageana foi para os Estados Unidos onde estuda na Saint Petersburg College e defende a college na disputa do campeonato NJCAA (Junior College).

A Junior College é uma faculdade de dois anos, onde o estudante recebe diploma de associado. Após esse período, o acadêmico se transfere para uma universidade por mais dois anos para então obter o diploma de bacharel.

Letícia afirma que nesse período em que está morando na Flórida recebeu todo o suporte e material para treinos e jogos. Ela conta sobre a estrutura dos ginásios onde treina e compete. “Todos os colleges oferecem academia dentro do campus, também contém uma sala de prevenção e recuperação para tratamento de lesões, além dos ginásios serem de excelente qualidade”.

Primeiros passos:

O vôlei apareceu na vida de Letícia aos oito anos. Ela conta que quando estava passeando pelo Centro de Lages com seu pai visualizou um anúncio sobre uma peneira de voleibol que aconteceria em um colégio particular da cidade. “Fiz a peneira e fui aprovada. Naquela época as meninas pagavam para treinar mas, como passei, ganhei a bolsa para treinar e estudar”.

A atleta permaneceu em Lages até 2014, quando no ano seguinte acertou a transferência para a Bluvolei, em Blumenau. 

O sonho, no entanto, era jogar em São Paulo. A levantadora conta que sempre quis jogar na escola paulista, por ser o local com um dos melhores campeonatos de base do Brasil. “No fim de 2016, fiz duas peneiras em São Paulo, mas não fui aprovada”.

Durante as peneiras, a jogadora conheceu duas meninas que comentaram sobre um projeto em Amparo, no interior de São Paulo. O clube montou em 2017 um projeto para o campeonato paulista, na ocasião Letícia conversou com o técnico da equipe. “Depois da conversa, fiquei algumas semanas treinando com eles para conhecer o time e as meninas. E, no fim de 2018, me mudei para jogar em Araraquara”.

Antes da ida para a Flórida, Leticia treinou com a equipe de Caçador.

Vida nos Estados Unidos e volta para casa

A lageana chegou em São Petersburgo em agosto de 2019 e teve cerca de um mês para se preparar, treinar e conhecer a equipe. Ela conta ter ido para os Estados Unidos sem falar inglês. “O único inglês que tinha estudado foi na escola, onde é ensinado o básico. Antes de iniciar as aulas fiz um teste de nivelamento para saber em qual nível iria começar”.

No primeiro semestre, Leticia fazia aulas de inglês pela manhã e treinava à tarde para os jogos, que ocorriam duas vezes por semana.

A lageana explica que no segundo semestre seria a offseason onde não ocorre vôlei de quadra. O college a qual Letícia defende resolveu jogar a temporada de praia que acontece entre janeiro e maio, porém a temporada não foi concluída por causa da covid-19. “Todos os campeonatos foram cancelados e as aulas foram transferidas para o formato online. Com isso, voltei ao Brasil para ficar perto da família”.

Com a volta do campeonato em janeiro de 2021, Leticia retornou aos Estados Unidos.

Futuro no voleibol

Letícia conta que o vôlei já proporcionou coisas maravilhosas em sua vida, como estudar em colégios particulares, morar em cidades que não imaginava, mudar de país, conhecer uma nova língua e nova cultura. “Sonho que com o vôlei eu possa ganhar uma oportunidade de melhorar e me aperfeiçoar e adquirir conhecimentos pessoal e profissional”.

A lageana afirma ser uma pessoa com muitos planos, mas prefere dar um passo de cada vez. “No momento quero me formar na faculdade e jogar mais dois anos aqui até terminar os estudos. Quem sabe futuramente jogar uma superliga no Brasil ou na Europa”

Diferenças do vôlei americano e brasileiro

Letícia diz que a principal diferença entre o esporte nos dois países é o suporte que os atletas têm e a estrutura das universidades. “Todos os esportes americanos são muito valorizados. As universidades possuem uma estrutura surreal. Todas têm a própria academia e uma sala de recuperação e prevenção”.

Ela complementa dizendo que no Brasil são poucos os clubes com boas estruturas, mas que está fora da realidade de muitos atletas. “Nos Estados Unidos, os atletas recebem todos os materiais e uniformes necessários. Outra grande diferença é que para jogar precisa estudar e ter notas boas, o que é muito diferente do Brasil”.

Saudade de casa

Por suas experiências desde adolescente morando longe da casa dos pais, Letícia afirma lidar bem com a saudade da família e do Brasil. “O que me ajudou foi a primeira vez que saí de casa para jogar”. Perguntada do que mais sente falta do Brasil, ela responde brincando. “No momento o que mais sinto saudade são das comidas brasileiras, não tem comida que supere”.

Ela finaliza dizendo para que todas as meninas e meninos não desistam dos sonhos. “Para todos que sonham em ser atletas, ganhar campeonatos, jogar em uma cidade diferente ou um país diferente, não desistam e treinem bastante, treino é muito importante para melhorar e não importa o tamanho do seu sonho, acredite nele”.